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Canudos plásticos inimigos do meio ambiente?

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Canudos plásticos inimigos do meio ambiente?

Canudos plásticos inimigos do meio ambiente?

24 de agosto de 201824 de agosto de 2018

Transformado em inimigo depois de uma campanha global. Os canudos plásticos são um importante item na economia circular. Quando reciclado, se transforma em outros produtos que não gastam matéria-prima virgem.

Em defesa do meio ambiente, alguns restaurantes estão substituindo o objeto por opções duráveis, ou até mesmo retirando-os de circulação. No Legislativo, porém, estão surgindo propostas sem meio-termo. Querem banir o objeto de cidades inteiras, com sanções a estabelecimentos que desrespeitarem a norma, como em Curitiba.

Essas iniciativas que começam a se multiplicar no Brasil fazem parte de uma onda global contra o pequeno artefato, que ganhou impulso após as imagens chocantes de uma tartaruga marinha com um canudo preso no nariz, em um vídeo que circula desde 2015.

A quantidade de plásticos que vai parar nos oceanos é um problema ambiental mundial, e o canudo é um dos principais itens jogados na costa litorânea, mas a guerra declarada contra um único produto está banalizando o debate e escondendo o principal: o responsável pela poluição não é um objeto e nem o conjunto deles, mas sim o ser humano, que não sabe dar a destinação correta aos seus resíduos.

O canudinho é, de fato, desnecessário na maioria dos casos.

Mas o canudo, formado basicamente por polipropileno, um derivado do petróleo, é um item reciclável, e na economia circular serve de matéria-prima para vários outros itens de plástico.

A substituição do artefato de plástico por outro reutilizável não é tão simples.

Se um estabelecimento ofertar um de aço inox, por exemplo, a cada uso ele terá de ser lavado e esterilizado. O que implica em gasto de água e detergente.

No mar

Foto: www.1millionwomen.com.au

 

Em relação aos dados disponíveis, o canudo de plástico é um dos objetos mais encontrados na costa.

Segundo o relatório de 2017 da The Ocean Conservancy, uma organização mundial de preservação e recuperação dos mares, a mais recente limpeza realizada nas faixas litorâneas, que percorreu 24,1 mil km em todos os continentes, coletou 13,8 milhões de itens, dos quais os canudos e misturadores de bebidas totalizaram 409.807, ou 3% do total. No Brasil, que teve a coleta em 55,5 km de costa, os canudos representaram 4,3% do lixo.

O problema, de fato, é que há muito lixo: pontas de cigarro, papel de bala, garrafas, copos, sacolas etc.

A China foi a principal geradora de lixo, seguido por Indonésia, Filipinas Vietnã e Sri Lanka; o Brasil apareceu em 16.º.

Segundo a publicação, o tamanho da população, a faixa litorânea e a efetividade dos serviços de gerenciamento de lixo explicam a maior ou menor participação de cada país.

Os Estados Unidos, por exemplo, ficaram em 20.º.

Todo esse lixo contribui para a formação de “ilhas de plástico” nos mares e uma série de problemas ambientais.

Mas há alguns produtos mais perigosos do que outros.

Um estudo publicado pela revista Marine Policy em março de 2016 considerou a poluição causada por esse tipo de material e os reflexos na vida de pássaros, tartarugas marinhas e mamíferos aquáticos. Os mais impactantes são: boias, armadilhas, potes; monofilamentos (linhas de pesca); redes de pesca; e sacolas plásticas.

O canudo plástico ficou em 13.º lugar em uma lista com 20 itens. Para a vida marinha, são mais prejudiciais os utensílios plásticos em geral, balões, botões, cápsulas, embalagem de comida e tampas plásticas de copo para viagem.

Um dos grandes problemas é que apenas uma pequena parcela dos plásticos é reutilizada.

Segundo o estudo do WEF, de 78 milhões de toneladas de plásticos produzidos em 2013, apenas 14% foram para a reciclagem, dos quais 4% foram perdidos; 40% vão para aterros e 32% poluem o meio ambiente, seja em terra ou no mar.

Ciclo dos canudos plásticos

O ciclo dos canudos plásticos é complexo: depois de utilizado e devidamente descartado, ele chega nas cooperativas de reciclagem.

Muitas vezes ele está misturando com outros tipos de resíduos, e a separação é trabalhosa, conta Paola Cristina Sales, cooperada da Catamare, em Curitiba.

De lá, o produto é embalado e segue para a Reciclagem Capital, uma aparista, que compra o material de cooperativas e revende em grande volume para indústrias transformarem o canudinho em novos produtos.

Segundo Cleiton da Silva, um dos sócios da empresa, não há nenhuma dificuldade em reciclar o canudinho. “A única coisa é que o plástico deve estar bem separado por tipo, para não haver contaminação”, explica.

FONTE: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/saiba-por-que-o-canudinho-vilao-ecologico-da-vez-nao-merece-a-ma-reputacao-1xkl89fgu33gzffofghbw7nbq



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